Por que fazer o passeio de trem Vitória-Minas?

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Se você está à espera de grana pra dar um rolê de trem pela Europa, saiba que tem como ter um gostinho dessa jornada aqui no Brasil, gastando bem pouco. Ainda que não exiba tanto luxo ou a velocidade dos trens europeus, a Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) satisfaz quem viaja com uma experiência rara e bem agradável, e eu vou dizer porquê.

O primeiro motivo é a chance de poder cruzar dois estados de trem, viajando de MG até o ES, algo que é um privilégio em um país que investe muito pouco em malhas ferroviárias para passeio.

O trem percorre 664 quilômetros, entre Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES), parando em dezenove cidades mineiras e seis cidades capixabas, onde se espalham as 32 estações.

Até 1998, era possível viajar do RJ até SP, através do chamado Trem de Prata. Mas os problemas de manutenção, o serviço ruim e o preço alto das passagens deram fim à jornada.



Falando nisso, o valor da passagem é um atrativo e tanto. Enquanto a viagem de ônibus convencional de BH à Vitória sai na faixa de 90 dilmas (com as sacudidas das curvas da BR-262), de trem o bilhete na classe executiva custa 91 dilmas, e na econômica apenas 58 dilmas.

Outra vantagem é que a Vale do Rio Doce, que mantém o passeio, trocou os vagões por uma frota mais confortável e mais prática que a anterior.

Depois da mudança, todos os vagões agora têm tomada, poltrona reclinável mais espaçosa (aleluia!), e uma mesinha de apoio pra notebook ou refeições. Pra ficar perfeito só faltava uma internet wi-fi. Fica aê a dica, que tá difícil se contentar com o 3G, que só funciona nas paradas das estações.



Entre os vagões, o carro-restaurante quebra um grande galho. Diferente dos busões, que a gente tem que esperar horas pra chegar em algum posto pra comer, no trem da EFVM dá pra comer de boa, nas mesinhas do restaurante. O cardápio não foge muito da comida de beira de estrada, mas ao menos não é uma facada como nos postos da Graal.

Comparando também com ônibus, mais um benefício é a questão da higiene e limpeza. O trem conta com uma galera que mantém os banheiros sempre limpos, tirando aí o risco de mal cheiro ou surpresas desagradáveis.

Agora, para os Flickeiros e Instagramers, vamos a melhor parte, que é paisagem natural com vales e montanhas pra registrar em fotos, ao redor do Rio Doce, ponto de convergência que liga os dois estados e atravessa a maior parte da ferrovia.



Se a intenção é só fotografar, a sugestão é fazer o trajeto que sai de Belo Horizonte, já que é em MG que você encontrará o melhor panorama, enquanto o dia ainda está claro, e saindo de Vitória, você perderá as paisagens mais interessantes na chegada ao anoitecer em BH.

Pouco depois de Belo Horizonte, o primeiro click pode ser feito na Serra do Gongo Soco, no município de Barão de Cocais. Tente sentar do lado direito do comboio, ou vá para uma das partes abertas entre um vagão e outro, onde é possível avistar a mina a céu aberto que impressiona pela imensa cratera cravada por corredores, utilizados para a extração de minério.

Na sequência, antes da estação João Monlevade, entre as cidade de Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo, outro ponto bacana é a Ponte do Peti. Com dimensões de 30 metros de altura e 428 metros de comprimento, a ponte chama a atenção pela imponência dos pilares sobre as águas da represa da Usina Hidrelétrica do Peti.



Depois de cruzar mais vales e túneis, o ponto alto quando o trem se aproxima da divisa entre MG e o ES. Ainda na parte mineira, há a represa de Aimorés, que reflete bem as formações rochosas que a cercam e o céu, que dependendo da época e do tempo, pode te presentear com variados tons de laranja no momento em que o trem passa, lá pelo fim da tarde.



A escolha da parada final é outro fator que serve como algo a mais pra fazer valer a viagem, mas neste caso, o roteiro é ao seu gosto. Você pode fazer um tour pelos pubs de rock de BH, desfrutar da gastronomia de Vitória, rica em pescados, fast-food e comida de boteco, pegar uma trilha pra subir o Pico do Ibituruna em Governador Valadares (MG), ou descer em Ibiraçu (ES) e ficar um dia pra conhecer o mosteiro zen budista. Opções não faltam.

Como desenlace, tenho que falar que a maior razão pra fazer esse passeio é curtir a experiência. O que eu quero dizer com isso? Desencane dessa vibe ansiosa de atravessar o tempo pra chegar logo de uma vez, leve uma companhia, um bom livro ou uma boa playlist no smartphone, e curta o momento!

O trem sai todos os dias de Belo Horizonte às 7:30h, e às 7 horas em Vitória. Compre a passagem online ou na véspera, pra não pegar fila na bilheteria logo cedo. Como já frisei, não se desespere, pois são 13 horas de chão. A velocidade máxima do trem da EFVM é de 65 km/h e não pode ser mais rápido, porque a ferrovia é usada pra cargas pesadas, o que exige uma velocidade reduzida.

Luciano F1

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